Monday, November 28, 2005
A fronteira de Rafah
Mas o que me recordo sempre de cada vez que ouço falar em Rafah é daquela caótica passagem da fronteira por parte da delegação portuguesa que acompanhava o Presidente da Republica (Mário Soares) nas "duas" históricas visitas de Estado, a convite, respectivamente, do Presidente Weizmann e do Ra'is Arafat. Rabin tinha sido eliminado uma trintena de horas antes, os carros da Delegação tinham seguido pela estrada empoeirada que ligava a Cidade de Gaza a Raffah à velocidade de far-west imposta pela segurança palestiniana e, finalmente, o que era suposto ser um controlo muito discreto e rápido dos passaportes transformou-se numa boa meia hora em que os agentes de segurança israelita quiseram deixar claro que aquilo não era uma fronteira internacional bilateral palestino-egípcia. Quando finalmente foram recebidos os "all clear" para as personalidades e funcionários regressarem aos seus respectivos carros e passarem para o lado egípcio, houve uns últimos abraços e aquele calor afectivo que Portugueses e outros (como os Palestinianos) põem nestas coisas. No meio da poeira, do calor e da confusão de carros a forçarem uns aos outros pole-positions protocolarmente inaceitáveis, vejo a Primeira Dama, Souna Arafat, estender-me a mão, e saudar-me com a máxima dignidade possível naquelas circunstâncias, como se estivessemos numa rua da sua Paris querida: "Au revoir , mon cher Docteur"..
nota prévia

Mil e Uma Noites mal contadas
Tenho andado nisto dos blogues vai para um ano. No meu diário de bordo internético desde que estou em Madrid (www.praiagrande.blogspot.com) , tenho vindo a incluir associações e reminiscências despoletadas por factos ou leituras. Naturalmente que vêm ao de cima as minhas curiosidades prioritárias: a Santa Rússia, o Próximo Oriente, a Libertinagem Clássica. Mas o "Praiagrande" sofre de duas delimitações: o ser escrito em inglês e o tom deliberadamente frívolo. O manuseamento em "estilo livre" do Inglês não deixa de dar grande gozo e ainda assim, uma vez ou outra, vou dizendo coisas bem sérias a coberto duma aparente frivolidade. Mas confesso que há uma matéria em que sinto ganas de mudar de blog. No tom e na língua. É que se lê tanta coisa por aí sobre Árabes, Islão, Médio Oriente escrito com fervor excessivo, demasiada simplicidade e ignorância evidente. Enfim, histórias muitas vezes mal contadas.